quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Rios- Festival Internacional de Cinema e Transmédia


Pots, Pans and other solutions: Uma reflexão sobre o documentário de Miguel Marques, acerca dos novos movimentos sociais na Islândia.


Examinando a pequena ilha com grandes ideias de democracia directa, o documentário “   ” (Tachos, panelas e Outras Soluções), conta a história da reacção da Islândia à crise financeira. Idealizado e concebido pelo português Miguel Marques, este documentário conta com a intervenção de alguns activistas que explicam por que razões deixaram de confiar no sistema político.

O documentário explica um conjunto de problemas que a democracia capitalista e imperialista que governava a Islândia desencadeou. A falta de humanidade nas politicas islandesas eram uma constante. Enquanto os bancos tinham uma frequente injecção de capital (dinheiro este, vindo do povo e seus impostos), os islandeses passavam fome e faziam sacrifícios para sustentar a obesidade capitalista do sistema governativo. Este sistema corrupto, apoiado pelas políticas de austeridade imperadas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), acabaram por se auto-colapsar desencadeando uma revolta geral do povo.

Mergulhada numa crise económica, semelhante à que Portugal vive, a Islândia acabou por saturar os sacrifícios feitos para interesses próprios e em vez de ajudar os banqueiros que faliram o país, decidiram prendê-los. Para isso o povo uniu-se, criou o Movimento Cívico, tirou os políticos do poder, realizou uma constituinte popular, questionou o modelo representativo viciado, as medidas de ajustes fiscais impostas pelo FMI e Banco Mundial e a corrupção que dominava o país a favor dos bancos. Desta forma criou a designada Democracia Directa.

Este documentário mostra um exemplo de luta à corrupção e de luta pelo humanismo. Neste sistema de corrupção é mais fácil viver sendo um simples banqueiro que ser o trabalhador dedicado. De facto todo o comércio deveria começar a usar a palavra “banco” no seu nome, assim “o talho do banco do lombo”, um restaurante com nome “Banco o Bife do carvalho”, poderia também obter uns milhões de injecção no seu capital. O negócio de vender dinheiro barato, por dinheiro caro, parece algo demasiadamente complexo para a grande parte dos bancos, felizmente, são amigos do patrão e lá recebem o prémio de empregado do mês.  Por quanto mais tempo durará esta política de menos pão e mais impostos? Enquanto isso por cada piada que contamos com o Estado, o Estado cria uma piada com o nosso dinheiro. Só que ao que parece, isso ainda não nos incomoda... muito pelo menos.
 
autor: Jorge Skisko

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